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Quando o lar volta a ser doce

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08 mar Quando o lar volta a ser doce

Em um movimento de “volta à casa”, mulheres abrem mão de seus empregos para cuidar dos filhos e viver de maneira mais equilibrada

Passado mais de um século desde que começaram a lutar pelo direito ao voto, às melhores condições de trabalho e à equiparação salarial, entre outras causas, as mulheres decidem trilhar um novo caminho: o de volta para a casa.

Mas espere aí! Não pense que isso significa vestir o avental, colocar um lenço na cabeça e adotar a posição resignada – um dia ocupada por elas – de viver para as tarefas domésticas. Na verdade elas podem até vestir o avental e o lenço, se assim o desejarem, pois o que define esse movimento é justamente a liberdade de escolha.

De acordo com a analista de tendências e fundadora da agência de pesquisa de mercado BERLIN, Andrea Greca, o que incentiva as mulheres no retorno à casa é um sentimento de não-realização no mundo corporativo, aliado à falta de tempo para se dedicar aos filhos – o que explica por que essa decisão geralmente acontece após se tornarem mães.

“Elas pensam assim: vale a pena me dedicar tanto ao trabalho, gastar boa parte do salário com creche e escolinha, chegar em casa exausta e, o que mais dói, perder os melhores momentos do crescimento dos meus filhos? Ao se questionarem dessa forma, as mulheres percebem que ficar em casa pode ser mais

vantajoso”, explica a especialista. “Para muitas, o sonhado equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal não acontece e a balança pende somente para o lado da carreira, gerando frustração”, completa.

O fenômeno do retorno ao lar é recente. Segundo Andrea, ele teve início no começo dos anos 2000, quando, após ingressarem com força no mercado de trabalho, as mulheres se perguntaram o que realmente as deixa felizes. “É importante destacar, contudo, que retornar à casa não significa necessariamente a ausência de atividade profissional, pelo contrário: milhões de mulheres que fizeram esse caminho empreenderam”, afirma.

De fato o empreendedorismo feminino também aumentou, talvez como consequência desse cenário. Quantas mulheres você conhece que têm o seu próprio negócio, muitas vezes dentro da própria casa? Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que o número de empreendedoras cresceu 16% no Brasil entre 2003 e 2013. Além disso, elas representam 43% dos donos de negócios no país, segundo o Serasa Experian.

Muito se ouve falar sobre o lugar que elas deveriam ocupar na sociedade. Neste Dia Internacional da Mulher – data que representa tão bem as lutas e as conquistas de cada uma delas – vemos que não é bem esse o caminho do debate. A primeira pergunta deve ser sempre: o que a faz feliz? Se as escolhas forem tomadas a partir dessa questão, teremos mulheres mais realizadas e, assim, uma sociedade mais madura.

 

Renata de Tullio Monteiro  é jornalista, redatora publicitária e fundadora da CriaTexto – Laboratório de Textos Criativos.

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